Tenho acordado tarde, sempre acho que tem alguma coisa errada comigo. Às vezes eu acho que a vida é apenas olhar para o mar e escutar o som das ondas se formando no horizonte. Às vezes eu não acho nada. 
Os pequenos espaços de tempo de euforia e veracidade que tenho no cotidiano é o tempo que levo no transporte público quando consigo juntar a melodia que carrego nos fones de ouvido para a paisagem fora da janela, mas ultimamente tenho notado que tudo anda sem sincronia. 
Fico entediada, sinto um cansaço que vem do nada e não vejo a hora de dormir novamente. 
Eu notei que todas as vezes que acordo eu consigo perceber de cara como vai ser todo o resto do meu dia. 
Eu notei que todas às vezes que conheço alguém eu consigo sentir de cara se o amarei por muito tempo. 
E o tempo é incontável enquanto vivemos, a vida é tempo enquanto contamos. 
todas as pessoas
e seus mundos frágeis e inseguros
então eu me sinto só
e isso nunca foi tão plausível
não as olho nos olhos
não as toco como tocava
eu sequer canto suas canções
não uso vírgulas e rimas
não danço em seus corpos nus
não me visto perto delas
me mudo para o andar de cima
e me isolo de todo esse cortejo social
esses tantos e estranhos modos meus
me afligem como
cada frase pragmática e mal alinhada
cima a cima
baixo a baixo
que pesa quando me toca
que pesa quando se lê





como uma ilha
que de vez em quando
tem conversas profundas
com o oceano


um bêbado caiu em um mar de palavras e se afogou
a cidade entrou em luto
as pessoas rezavam poesias para que sua alma saísse do limbo
não sabe ao certo se existira céu ou inferno
porque a população tinha a crença da condenação e o paraíso
porém, eram poucos e sempre tinham
aqueles que viviam da convicção
de que o limbo era o único lugar seguro
por ser tão incerto e indefinido
pressa de viver/o outro anônimo 

são apenas acordes vocais
e sorrisos congelados
nas ruas desconhecidas de Bonsucesso

são apenas impulsos 
e o acalanto em desalento
de uma pobre alma suja pelo regresso

um círculo vicioso 
para cada minuciosa manhã 
de domingo ensolarado

e eu o dedico infinitamente
para aquele que passou
sem jamais ter estado

por convicta
andei por suas terras quentes
nadei pelos seus rios mais profundos
e vi esmeralda brilhando no fundo deste
em queda pelo seu abismo
segurar suas mãos com toda magnitude
e sentir a estranheza mais linda
que é voar sem ao menos ter o pungimento
para possuir suas asas
te(n)são

contrações
espasmos
sudorese
batimento acelerado
voltar-me-ei
para a brisa
rodeada
pela bonita melancolia
do cais
minha amada gaivotinha
ao mangue de sal que me espera
o ocaso do cais, um acaso:

revirei-me do avesso
para te merecer em acalento


vamos evocar o oceano com azul
dessarte o amor está para o mar
para que inclinamos nossa leveza a ela

pois tudo aquilo que é fardo
afunda